BIM para iniciantes: do primeiro projeto à coordenação BIM

Depois de compreender os fundamentos do BIM e escolher uma ferramenta para começar, surge uma nova etapa:

Como evoluir de um simples modelo para um processo BIM mais completo?

É nesse momento que conceitos como informação, IFC, LOD, BEP, CDE, interoperabilidade e compatibilização começam a fazer parte do aprendizado.

Neste terceiro e último artigo da série BIM para iniciantes, vamos apresentar um caminho de evolução para quem já começou a modelar e deseja compreender melhor os processos envolvidos.

Comece com um projeto pequeno

Depois de aprender os fundamentos de uma ferramenta, desenvolva um projeto simples.

Pode ser:

  • uma residência;
  • um pequeno edifício;
  • um escritório;
  • um terreno;
  • uma pequena obra de infraestrutura.

O objetivo não é produzir um projeto gigantesco.

O objetivo é entender o processo.

Comece pelo modelo e avance progressivamente para:

Modelagem → Informação → Documentação → Quantitativos → Coordenação.

O modelo precisa ter informações

Um dos grandes diferenciais do BIM está justamente nas informações associadas aos elementos.

Imagine uma porta.

Em um desenho convencional, ela pode ser representada graficamente.

Em um modelo BIM, ela pode possuir informações como:

  • largura;
  • altura;
  • material;
  • fabricante;
  • código;
  • custo;
  • características técnicas.

Essas informações podem ser utilizadas posteriormente para diferentes finalidades.

Por isso, conforme você evolui no BIM, deve começar a pensar não apenas:

“Como modelar?”

mas também:

“Quais informações esse elemento precisa possuir?”

O que é IFC?

IFC (Industry Foundation Classes) é um padrão aberto utilizado para facilitar a troca de informações entre diferentes softwares e sistemas BIM.

Sua importância está relacionada principalmente à interoperabilidade.

Imagine um projeto desenvolvido com diferentes ferramentas:

Arquitetura → Software A

Estrutura → Software B

Infraestrutura → Software C

A possibilidade de compartilhar informações entre esses ambientes é fundamental para processos colaborativos.

O IFC é uma das tecnologias associadas a essa troca de informações.

O que é LOD?

Você também encontrará frequentemente a sigla LOD — Level of Development.

De maneira simplificada, o LOD está relacionado ao nível de desenvolvimento de um elemento dentro de um modelo.

Isso é importante porque um elemento não necessariamente precisa possuir o mesmo nível de desenvolvimento em todas as fases do projeto.

O nível de informação necessário para um estudo preliminar pode ser diferente daquele necessário para execução.

Para o iniciante, o principal conceito é:

o modelo deve possuir o nível de desenvolvimento adequado ao objetivo e à etapa do projeto.

O que é BEP?

BEP (BIM Execution Plan) significa Plano de Execução BIM.

É utilizado para estabelecer como o processo BIM será desenvolvido em determinado projeto.

Um BEP pode estabelecer aspectos relacionados a:

  • responsabilidades;
  • ferramentas;
  • padrões;
  • processos;
  • entregas;
  • informações;
  • colaboração;
  • troca de arquivos.

Isso mostra que BIM não depende apenas do modelador.

Um processo BIM bem estruturado envolve diferentes profissionais e responsabilidades.

O que é CDE?

CDE (Common Data Environment) pode ser entendido como Ambiente Comum de Dados.

É utilizado para organizar e compartilhar informações de um projeto de maneira estruturada.

Em projetos com várias equipes, controlar documentos, modelos, versões e revisões pode se tornar bastante complexo.

O conceito de CDE busca justamente proporcionar um ambiente organizado para o gerenciamento dessas informações.

O que é compatibilização BIM?

Imagine um projeto com:

Arquitetura + Estrutura + Instalações.

Cada disciplina pode desenvolver seu próprio modelo.

Quando esses modelos são reunidos para análise, podem surgir conflitos.

Por exemplo:

  • uma tubulação atravessando uma viga;
  • uma estrutura ocupando espaço reservado para uma instalação;
  • uma passagem insuficiente;
  • elementos posicionados incorretamente.

A análise desses conflitos é parte importante dos processos de coordenação e compatibilização BIM.

Uma ferramenta como o Navisworks pode ser utilizada em determinados fluxos para reunir modelos e apoiar análises de interferências.

Modelo federado

Em projetos multidisciplinares, diferentes modelos podem ser combinados em um ambiente de coordenação.

Em vez de necessariamente transformar todos os modelos em um único arquivo de autoria, podemos trabalhar com um modelo federado, no qual diferentes modelos disciplinares são reunidos para determinadas finalidades de coordenação e análise.

Por exemplo:

Modelo de Arquitetura

Modelo Estrutural

Modelo de Instalações

=

Modelo Federado

Essa abordagem facilita a análise integrada do empreendimento.

BIM e planejamento

Depois de dominar os fundamentos da modelagem e coordenação, o profissional pode começar a explorar a relação entre o modelo e o planejamento.

É aqui que aparece o conceito de BIM 4D.

O modelo pode ser associado às etapas de execução previstas no cronograma, permitindo visualizar a evolução da obra ao longo do tempo.

Essa integração pode ajudar na comunicação e no entendimento do planejamento.

BIM e custos

Outro avanço possível é a integração entre modelo e informações de custos.

Nesse contexto, fala-se frequentemente em BIM 5D.

Os elementos do modelo podem estar relacionados a quantitativos e informações que apoiam processos de orçamento e controle de custos.

Porém, é importante lembrar:

um modelo BIM não produz automaticamente um orçamento correto.

A qualidade do resultado depende da estrutura do modelo, das informações disponíveis, dos critérios de medição e dos dados de custos utilizados.

Um roteiro de evolução para o iniciante

Depois de conhecer os fundamentos, você pode seguir uma sequência semelhante a esta:

Etapa 1 — Conceitos

Entenda o que é BIM e sua diferença em relação ao CAD.

Etapa 2 — Área de atuação

Escolha Arquitetura, Engenharia, Infraestrutura, Construção ou outra área.

Etapa 3 — Software

Escolha uma ferramenta principal.

Etapa 4 — Primeiro projeto

Desenvolva um projeto pequeno.

Etapa 5 — Informação

Aprenda a trabalhar com propriedades, parâmetros e dados.

Etapa 6 — Documentação

Produza plantas, cortes, detalhes, tabelas e demais documentos.

Etapa 7 — Quantitativos

Explore a extração e utilização das informações quantitativas.

Etapa 8 — Interoperabilidade

Conheça IFC e os processos de troca de informações.

Etapa 9 — Coordenação

Aprenda a trabalhar com diferentes disciplinas e modelos.

Etapa 10 — Processos

Avance para BEP, CDE, LOD, planejamento, custos e gestão da informação.

Essa evolução não precisa acontecer rapidamente.

O importante é construir conhecimento de maneira consistente.

Erros que o iniciante deve evitar

Querer aprender tudo de uma vez

BIM possui um universo muito amplo.

Escolha um caminho inicial.

Focar apenas na aparência do modelo

Um modelo visualmente bonito não significa necessariamente um modelo bem estruturado.

Ignorar as informações

Lembre-se de que o “I” de BIM representa Information.

Não praticar

Conhecimento teórico precisa ser colocado em prática.

Começar por projetos complexos

Projetos pequenos permitem entender melhor os fundamentos.

BIM é uma jornada

Não existe um ponto em que o profissional simplesmente “termina de aprender BIM”.

Conforme sua experiência aumenta, novos conhecimentos aparecem:

  • modelagem;
  • famílias e objetos;
  • documentação;
  • informação;
  • interoperabilidade;
  • coordenação;
  • planejamento;
  • custos;
  • gestão;
  • normas;
  • operação e manutenção.

Por isso, o aprendizado deve ser contínuo.

Conclusão

Começar no BIM não significa dominar dezenas de softwares ou conhecer todas as siglas existentes.

O caminho pode ser muito mais simples:

entender os fundamentos → escolher uma área → aprender uma ferramenta → desenvolver projetos → trabalhar com informações → avançar para coordenação e processos.

Com essa base, o profissional começa a enxergar BIM não apenas como uma tecnologia de modelagem, mas como uma metodologia para produzir, organizar, compartilhar e utilizar informações ao longo do ciclo de vida de um empreendimento.

E talvez essa seja a principal mudança de mentalidade para quem está começando:

Não pense apenas em modelar um projeto; pense em construir informação.

A partir daí, o universo BIM começa a fazer muito mais sentido.

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